O canto cantarolando

terça-feira, 31 de maio de 2011 às 12:37

Ouvir a chuca cair, sentir o seu aroma, ver o mistério de cada simples gota caindo no chão. A cada pulsar do seu coração, uma gota que vem do céu estoura pelo chão, pelos lagos, mares, árvores, ruelas, nas casas, e por tudo ao redor.

Não é só ouvir e sentir, é percepção, é sensibilidade, é romance brotando de dentro para fora e te fazendo soar, o som fluindo e se misturando com o ar ao redor, como se eles fossem um só.

Você começa a ouvir, como dentro da sua cabeça, todos os sons ao redor, como se o mundo todo à volta tivesse saído do seu pulmão, da sua imaginação. É mágico.

Até começar a sensação de flutuar, de que você não precisa de mais nada, de que você não quer mais parar, de que você não consegue mais parar. Eu sinto que é um presente, algo que brota lá do fundo e vêm à tona do coração para ressoar no meu corpo inteiro, e sair para o mundo.

Dizem que todo som que é ressoado fica para sempre percorrendo o universo, imagino este som passeando pelas estrelas, rodeando as galáxias, quem sabe um dia volte para mim e eu possa ouví-lo como uma brisa suave.

Primeiro você percebe um estímulo, ouve sons. Algo dentro de mim vai aumentando, como um vulcão prestes a entrar em erupção. Aos poucos o corpo se prepara, todos os músculos, órgãos e ossos se posicionam e entram em sincronia, a mente fica condicionada.

Pronto, aí é só fexar os olhos e deixar fluir. É assim que eu me sinto quando canto.




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