E mais uma semana acaba...

sábado, 7 de maio de 2011 às 00:05

   
Caros leitores

   E os meus conflitos internos continuam, entretanto, alguns dias desta semana eu acordei pensando: Sou brasileira! Não posso desistir, vou me destacar em perseverança, mesmo que eu pegue o canudo me rastejando, eu vou me formar! Aí no outro dia as dúvidas vêm de novo, e o desespero. Porque eu sonho muito em começar os estágios, eu sei que depois que eu passar por essas matérias bases eu vou ficar mais tranquila e "incorporar" a nurse dentro de mim, mas até lá... Temos que ser um pouco de tudo- biólogo, anatomista, bioquímico, farmacêutico, etc - para depois ganhar o reconhecimento, ou seja, a oportunidade de mostrar se você é enfermeiro na prática. Porque na teoria, às vezes uma "decoreba" te faz um grande profissional, mas não é assim na prática. E eu nunca me dei bem em "decorebas". 

   O final de semana promete muito estudo, é preciso muita garra pra estudar enfermagem, viu? Vou te contar que eu não imaginava, e até desprezava o curso antes de conhecer. E o pior é que depois que você é formado, ainda tem que aguentar cada coisa, além de alguns médicos que estudaram tanto quanto você e andam de nariz empinado, desprezando a sua existência no hospital. É meu filho, você só vem ver o usuário no outro dia, quem que fica monitorando a noite inteira? Quem você vai chamar quando precisar pulsionar a veia e administrar medicamento endovenoso? É a enfermagem em peso! Momento revolts. 

   Acontece que eu fiquei assim porque esta semana participei da 1° Jornada Acadêmica de Pediatria - Abordagens práticas na emergência. E foram três dias de palestra organizadas pelos alunos da medicina, com palestrantes médicos. Um saco! A palestra? Não, o tema foi maravilhoso. Um saco foi o sarcasmo de alguns palestrantes e muitas vezes o esquecimento total da enfermagem nos assustos, sendo que há muitas emergências que possuem um médico ou nem isso, e que o médicos não consegue fazer tudo sozinho. Chegou ao cúmulo de um deles falar assim: Bom, aí enquanto você analisa o paciente, outro médico investiga com a família e blá blá. Mas se não houver outro médico você pode fazer tudo sozinho, aé, ou um enfermeiro "substitui" (Oi? Eu ouvi bem?). "Querido", você que não sabe nada de equipe de emergência, o médico NÃO faz tudo sozinho, você NÃO é onipotente e onisciente, embora ache que é. Você PRECISA de um profissional de enfermagem, ainda mais em uma emergência. 

   Desculpem os meus desabafos, mas são coisas que tenho vivenciado, e eu não vou ser submissa à médicos que se achem superiores e que desrespeitem o nosso trabalho. Nossos ofícios são complementares e não hierárquicos - a não ser no modelo de PSF (Projeto saúde da família) do governo, mas mesmo assim quem coordena a unidade básica é o enfermeiro. 

   Bom, me empolguei e escrevi bastante. Qual o objetivo deste discurso todo? Desabafar e informar aos meus leitores, aos poucos, o que é a enfermagem e qual a importância dela, porque a história é linda (em um próximo post eu conto) e quase ninguém sabe realmente como ela funciona. Às vezes nem os próprios profissionais. E apesar dos meus conflitos e medos internos, eu tenho convicção da minha paixão pela profissão.


   E mais uma semana acaba, bom final de semana para quem vai curtir, porque para mim, mais um final de semana de estudo se inicia...






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