A impressão que eu tenho é que as pessoas não querem criar laços nos dias de hoje. Ou porque têm medo, ou porque existem barreiras, ou porque o tempo não deixa, eu não entendo o certo o porquê. E talvez eu até me inclua nisto. As vezes sou um pouco anti-social - tá bom, sou bastante -, mas é porque sou muito caseira e tímida.
A maioria dos laços são mantido, e muitas vezes criados, por acesso à internet. Claro, é muito mais cômodo ficar no conforto da sua casa batendo papo com os amigos pelo computador do que pegar ônibus, trânsito, chuva e mais um monte de "obstáculos" para trocar uma idéia com outras pessoas. Há muitas pessoas que ainda cultivam as amizades e as práticas de sair em grupos, mas a tendência da sociedade é se isolar em seus recantos e em sua própria vida.
É muito difícil sair na rua e receber o sorriso de um estranho, ou a ajuda para carregar algo pesado quando se sobe ou desce um degrau. Parece que as pessoas andam dentro de bolhas e não enxergam o que ou quem está a sua volta. Pensam em seus próprios problemas sem se dar conta que ao seu lado pode ter uma pessoa chorando e precisando de ajuda. Não é mais como era no interior e no tempo das nossas avós, onde as pessoas conheciam umas às outras e compartilhavam de amizade, solidariedade e conversavam sem maldade ou sem querer explorar algo de você.
A impressão que eu tenho é de uma tamanha frieza que me congela a alma ao olhar para outras pessoas na rua. E sempre que eu passo por uma vitrina ou um vidro espelhado eu me olho, não para ver se o meu cabelo está arrumado -também né? - mas principalmente por ver como está a minha expressão, se estou muito antipática ou triste, se pareço grosseira ou receptiva. Para mim, não há importância se alguém é estranho, esta pessoa tem uma cultura, uma história, uma personalidade assim como eu, e merece ao menos a minha simpatia ao cruzar comigo pela rua, e também ela não se torna mais estranha a partir do momento que me achego um pouco mais. Não posso ficar indiferente às possibilidades de um estranho ser perigoso, mas não posso ficar indiferente à alguém que precise de mim por achar que ele pode ser perigoso. É claro que um estranho pode precisar de você, somos todos da mesma espécie e compartilhamos de problemas muito semelhantes, precisamos nos importar uns com os outros. Ou você acha que a samambaia ou o seu cachorro entenderá quando você quiser desabafar de desilusão amorosa, por exemplo? Talvez o seu peixe?
Como projeto de enfermeira, aprendo cada vez mais a olhar o seu humano como se olhasse para mim, com simplicidade, de mente aberta, receptiva para cuidar e conhecer. Sem preconceitos, sem medos, ciente de que existem pessoas com boas e más intenções, que nunca devo esperar muito de alguém, mas que sempre devo dar o meu melhor. Mudar a vida de alguém, ou simplesmente só o dia ou o momento.
Laços estão se perdendo. Laços familiares, laços de amizades cada vez mais difíceis de ser sólidas, laços de confiança, laços de amor. Eles devem ser cuidados e zelados como um cristal muito delicado, não podem ser substituídos ou esquecidos. As relações deveriam ser profundas e sinceras, é impressão minha ou elas quase sempre não são mais assim?
Eu penso que isto deveria ser mantido, por isso me entrego tanto e confio tanto nas relações que eu crio com pessoas. Sei que nem sempre serei correspondida, como muitas e muitas vezes não fui, mas a minha parte continuarei fazendo, não me tornarei fria e indiferente porque assim foram comigo, jamais. Assim, só irei alimentar o que eu não acho certo, a falta de laços. Portanto, prefiro sim ser uma boba sonhadora há ser mais uma que só pensa em si e não faz nada para cuidar do meio onde vive, e principalmente, nada para cuidar dos laços que lhe são confiados.



Nenhum comentário:
Postar um comentário